Resíduos Sólidos Hospitalares


Os resíduos sólidos hospitalares existem desde que se prestam cuidados de saúde aos seres humanos. Estes resíduos constituem um enorme problema de saúde pública e ambiental, pelo que é necessário dar-lhes uma atenção cada vez maior com vista à salvaguarda dos efeitos negativos que podem afectar toda a comunidade.
A importância da triagem e do tratamento dos resíduos hospitalares, na política hospitalar e na gestão dos serviços, é extraordinariamente grande, tendo como consequência alterações a nível do bom senso da responsabilidade e dos hábitos dos profissionais de saúde. 
Os custos sociais deste problema são elevadíssimos, pelo que se torna imperioso a criação de condições que propiciem a protecção da saúde de toda a população e a preservação do ambiente. Contudo, para que tal seja possível, é necessário que todos aqueles, que directa ou indirectamente têm responsabilidades na área da saúde, colaborem na triagem dos resíduos por eles próprios produzidos, ao prestarem cuidados de saúde.
Dadas as necessidades sentidas e expressas pelos profissionais do Centro de Saúde de Moimenta da Beira, sobre este tema, considerámos pertinente a realização de uma acção de formação em serviço, motivo pelo qual decidimos realizar este trabalho, orientando-nos pelos seguintes objectivos:
ü  - Aprofundar os nossos conhecimentos sobre esta temática;
ü  - Alertar para a perigosidade dos resíduos hospitalares, em termos de ética, de saúde pública e de riscos de infecção nosocomial;
ü  - Sensibilizar para a redução na produção de resíduos;
ü  - Incentivar os profissionais do Centro de Saúde de Moimenta da Beira, para a realização da triagem dos resíduos sólidos hospitalares.  
ü  Com base na literatura consultada desenvolvemos os seguintes pontos:
ü  - perspectiva histórica dos resíduos sólidos hospitalares, conceito e sua classificação;
ü  - triagem e métodos de tratamento dos resíduos sólidos hospitalares;
ü  - impacto dos resíduos sólidos na sociedade;
ü  - estratégias para a mudança de comportamentos dos profissionais de saúde.
ü  Para a realização deste trabalho, foi realizada pesquisa bibliográfica.





perspectiva histórica dos resíduos sólidos hospitalares

Embora já na pré-história existissem resíduos resultantes da prestação de cuidados a seres humanos e animais, não havia a preocupação com a triagem e o tratamento dos mesmos. Contudo, mais tarde o Homem começou a preocupar-se com os resíduos que produzia, devido ao aumento do volume dos mesmos, revelam SANTOS E ALVES (1998, p.41).
Foi no século XV, com a construção dos primeiros grandes hospitais em Portugal, nomeadamente o Hospital de Todos-os –Santos em Lisboa, e o Hospital Espírito Santo em Évora, que esta preocupação se tornou evidente.
Concomitantemente, com o evoluir da sociedade e as inovações verificadas nas actividades hospitalares, deu-se uma evolução dos cuidados de saúde e higiene, começando assim, a ser conhecidas e adoptadas algumas directivas comunitárias sobre esta temática.
A Organização Mundial de Saúde, tem sido a entidade que mais se preocupa com este problema, e em conjunto com a publicação de portarias e despachos, conseguiram obter uma nova classificação dos resíduos sólidos hospitalares, por grupos, com vista à separação na origem dos mesmos, para além de possibilitar o recurso a distintas tecnologias de tratamento.

RESÍDUOS sólidos hospitalares
Os resíduos devem ser considerados como um problema de todos, uma vez que directa ou indirectamente estamos envolvidos na sua produção.

conceito
De acordo com SANTOS E ALVES (1998, p.41), os resíduos são toda a substância ou objecto, de que o detentor se desfaz.
Os resíduos perigosos dizem respeito a todos os que apresentam características de perigosidade para a saúde ou para o ambiente, e os resíduos hospitalares referem-se aqueles que são produzidos nas unidades de prestação de cuidados de saúde, incluindo as actividades médicas, de diagnóstico, tratamento e prevenção da doença.
Este tipo de resíduos pode trazer riscos não só para a saúde do pessoal e utentes dos estabelecimentos de saúde, como também para a saúde pública, devido ao seu transporte e à sua eliminação final.
Segundo a OMS (1983) cit. In SOARES E MARTINS (1997, p.39), o resíduo perigoso “é aquele que pelas suas características físicas, químicas e biológicas, requer processos especiais de manuseamento e destino final, tendo como objectivo: evitar riscos para a saúde e /ou impactos no ambiente”.

classificação
Atendendo aos progressos que a técnica vem disponibilizando, permitindo o recurso a distintas tecnologias de tratamento, torna-se necessário proceder a uma nova classificação dos resíduos sólidos hospitalares.
Assim, o despacho 242/96 de 13/08 determina que os resíduos sólidos hospitalares, são objecto de tratamento apropriado e diferenciado consoante os grupos que se seguem:
ü  Grupo I – resíduos equiparados a urbanos;
ü  Grupo II – resíduos hospitalares não perigosos;
ü  Grupo III – resíduos hospitalares de risco biológico;
ü  Grupo IV – resíduos hospitalares específicos.

Os resíduos equiparados a urbanos são aqueles que não apresentam exigências especiais de tratamento. Neste grupo inserem-se:
ü  - Resíduos provenientes dos serviços gerais;
ü  - Resíduos provenientes dos serviços de apoio;
ü  - Resíduos provenientes da hotelaria resultante da confecção e restos de alimentos servidos a doentes;
ü  - Embalagens e invólucros comuns.

Os resíduos hospitalares não perigosos são aqueles que não estão sujeitos a tratamentos específicos, podendo ser equiparados a urbanos. Este grupo inclui:
ü  - Material ortopédico não contaminado e sem vestígios de sangue;
ü  - Fraldas e resguardos descartáveis não contaminados;
ü  - Materiais de protecção individual utilizado nos serviços gerais e de apoio;
ü  - Embalagens vazias de medicamentos ou de outros produtos de uso clínico;
ü  - Frascos de soros não contaminados.

Os resíduos hospitalares de risco biológico são os resíduos contaminados ou suspeitos de contaminação. Estes são susceptíveis de incineração ou de outro pré-tratamento eficaz, permitindo uma posterior eliminação como resíduo urbano. Neste grupo integram-se:
ü  - Todos os resíduos provenientes de quartos ou ennfermarias de doentes infecciosos ou suspeitos, de unidades de hemodiálise e do bloco operatório;
ü  - Todo o material utilizado em diálise;
ü  - Peças anatómicas não identificáveis;
ü  - Resíduos que resultam da administração de sangue e derivados;
ü  - Sistemas utilizados na administração de soros e medicamentos;
ü  - Sacos colectores de fluidos orgânicos e respectivos sistemas;
ü  - Material ortopédico contaminado ou com vestígios de sangue;
ü  - Fraldas e resguardos descartáveis contaminados ou com vestígios de sangue;
ü  - Material de protecção individual utilizado em cuidados de saúde e serviços de apoio geral em que haja contacto com produtos contaminados.

Os resíduos hospitalares específicos referem-se aos resíduos de vários tipos, mas de incineração obrigatória. Este grupo inclui:
ü  - Peças anatómicas identificáveis (fetos, placentas);
ü  - Cadáveres de animais de experiência laboratorial;
ü  - Materiais cortantes e perfurantes;
ü  - Produtos químicos e fármacos rejeitados;
ü  -Citostáticos e todo o material utilizado na sua manipulação e administração.

triagem de resíduos sólidos hospitalares
Uma correcta triagem dos resíduos sólidos hospitalares é inconcebível sem a participação de todos os profissionais de saúde, não interferindo com as funções dos mesmos, realçam SANTOS E ALVES (1998, p.42).
A separação dos resíduos sólidos hospitalares é fundamentalmente uma questão de bom senso, de responsabilidade e de hábito. É também, uma questão económica, pois ao separar criteriosamente os resíduos produzidos obtêm-se economias; nomeadamente, existe uma redução dos resíduos que necessitam de tratamento específico, uma recolha selectiva dos resíduos recicláveis e indirectamente permite uma maior canalização dos recursos financeiros para outras áreas mais importantes.
A triagem dos resíduos sólidos hospitalares, no local de produção, pretende a separação dos diferentes tipos de resíduos, de modo a que os perigosos sejam controlados ao mínimo, levando assim à redução de custos. Deste modo, os profissionais de saúde, co-produtores de resíduos sólidos hospitalares, deverão identificar e separar correcta e eficazmente os resíduos em:
- Perigosos, do ponto de vista microbiológico e químico;
- Banais ou equiparados a urbanos. 
Para a implementação de uma triagem eficiente e operacional é necessário dotar os serviços clínicos e institucionais, com meios de acondicionamento de resíduos. Este acondicionamento deverá ser de acordo com a especificidade e condicionantes físicas dos serviços clínicos e instituições, com os tipos e quantidades de resíduos produzidos e com a optimização económica dos recursos.
Actualmente, os recipientes para o acondicionamento dos resíduos sólidos hospitalares utilizados nas instituições de saúde são:
ü  - Sacos de plástico;
ü  - Caixas de cartão com sacos incorporados;
ü  - Contentores de plástico;
ü  - Contentores de polietileno de alta densidade.
Estes recipientes possuem características que permitem, aos intervenientes, uma clara identificação do grupo de resíduos a que pertencem. Assim, o despacho 242/96 estabelece códigos de cor para os recipientes, ou seja:
·         Grupo I e II – cor preta;
·         Grupo III – cor branca, com indicativo de risco biológico;
·         Grupo IV – cor vermelha.
Contudo, os materiais cortantes e perfurantes, que se incluem no grupo IV, devem ser colocados em contentores imperfuráveis de cor vermelha, amarela ou azul.
Na opinião de DIAS (1998,p.13), os códigos de cor deverão ser nacionais, dado não existir um código de cor internacional.

tratamento de resíduos sólidos
De acordo com SOARES E MARTINS (1997, p.39), até à poucos anos, os resíduos hospitalares eram considerados resíduos especiais, mas não entravam na classificação de resíduos tóxicos ou perigosos, e tinham normalmente como destino final, as lixeiras ou os aterros sanitários municipais.
Na opinião de SANTOS E ALVES (1998, p.43), o tratamento dos resíduos sólidos consiste na alteração das suas características, através de processos mecânicos, químicos ou biológicos, de forma a reduzir o seu volume de perigosidade, o que facilita a sua movimentação, valorização ou eliminação.
Estes processos de tratamento, são a incineração e a desinfecção. A incineração é um processo de decomposição térmica dos resíduos, que se processa através de duas etapas:
- Pirólise, na qual os resíduos são submetidos a temperaturas de 650 a 800º C, num ambiente com carência de oxigénio para a combustão completa, com formação de gases combustíveis;
- Termorreactor, na qual é realizado o processo da combustão dos gases da pirólise à temperatura de 1100º C, durante 2 segundos no mínimo. Esta etapa é realizada na presença de oxigénio em excesso, para garantir a combustão completa.
Na incineração, há recuperação de energia térmica, uma vez que permite recuperar o equivalente a metade da energia dissipada.
Os resíduos hospitalares de risco biológico são sujeitos a incineração, ou outro processo eficaz, que permita a sua eliminação posterior como resíduo urbano. Contudo os resíduos hospitalares específicos são obrigatoriamente sujeitos a incineração.
 De acordo com as autoras supracitadas, a desinfecção pode ser química ou térmica. Na desinfecção química, utilizam-se soluções desinfectantes e germicidas, como o álcool e o formaldeído, para envolver e/ou injectar os resíduos.
Na desinfecção térmica, existem vários processos possíveis, nomeadamente: vapor, microondas, autoclavagem e irradiação.
Os resíduos equiparados a urbanos não necessitam de medidas particulares, podendo ser tratados sem perigo, da mesma forma que os resíduos munícipais.

os resíduos sólidos hospitalares e o seu impacto na sociedade
Só com a ajuda das pessoas, é que se pode obter qualidade, seja em que nível for.
Na última década, houve uma enorme evolução da legislação do contencioso contra-ordenacional e da jurisprudência, no direito do Ambiente. Por este motivo, a gestão de resíduos, revelou-se como uma das políticas prioritárias. A sua resolução assenta numa necessidade de sensibilização e numa urgente fase activa de planeamento e decisão acerca dos resíduos sólidos.
Os cuidados de saúde, em particular, estão sob pressões ambientais e financeiras extraordinárias. Como consequência dessa pressão, os profissionais de saúde são confrontados com problemas complexos, como a gestão dos lixos perigosos, a escolha entre produtos reutilizáveis e descartáveis e a crescente preocupação com o controlo da infecção.
Ultimamente, de acordo com DIAS (1998, p.12), têm-se assistido à divulgação da política dos 3R – “reduzir, reutilizar e reciclar”. Esta política é defendida pelos ambientalistas e regulamentada pelos dispositivos legais, levando à criação de condições de controlo.
Actualmente, são criadas condições para que seja possível por em prática uma filosofia que diminua a produção de resíduos sólidos na fonte, que valorize o ciclo da recolha até ao tratamento final e que garanta a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados. Para tal, é necessário que os enfermeiros tenham consciência de que o seu trabalho quotidiano, pode ser afectado por estatutos e regulamentação governamentais, relativas ao ambiente. Ou seja, é necessário que se conheça e respeite a legislação vigente, as normas gerais e profissionais e os protocolos específicos hospitalares.
Colaborar na redução, reutilização e reciclagem dos resíduos sólidos é um dever de todos. A nível dos cuidados de saúde, os enfermeiros devem ser líderes, neste processo, pelo vasto domínio de cuidados que lhes estão confiados e pela sua intervenção nas actividades formativas, sendo a vigilância, o controlo e a supervisão, os pontos de partida para soluções ecologicamente correctas.
A gestão de resíduos assenta numa política que visa essencialmente quatro metas fundamentais:
- Prevenir o aumento da produção de resíduos;
- Reduzir o peso e o volume dos resíduos;
- Maximizar as quantidades recuperadas para valorização;
- Adoptar métodos e processos de eliminação, com o intuito de minimizar os resíduos depositados em aterro.
É necessário caracterizar os resíduos sólidos urbanos, e ter conhecimento da sua composição física para se avaliar qual o tratamento que deve ser feito e para se obter a informação necessária para a recuperação por recolha selectiva ou triagem de materiais.
O tratamento pode ser por compostagem ou incineração, mediante o interesse e a existência de determinados componentes.
A política dos 3R, como refere DIAS (1998, p.12), contribui para a redução das quantidades de resíduos a eliminar, o que implicitamente, tem como vantagens poupar os recursos naturais, de energia e de protecção do ambiente.
Uma das fases fundamentais da Gestão Global e Racional dos resíduos hospitalares, é a deposição selectiva ou triagem dos resíduos na origem de produção, atendendo às suas características de perigosidade, reutilização ou reciclagem. Assim, deve-se obedecer ao princípio da contentorização e considerar a categoria do resíduo.
Face ao exposto, é obvio que os profissionais implicados na manipulação, classificação e recolha dos resíduos hospitalares necessitam de conhecimentos cada vez mais específicos, e de uma formação contínua, uma vez que os recursos existentes são bastante limitados, e que o controlo na triagem dos resíduos sólidos hospitalares, diminui os custos.
 Fazer a separação dos resíduos é pois também uma questão económica, na medida em que a recolha selectiva de resíduos recicláveis, permite a redução da quantidade daqueles que necessitariam de tratamento específico. Assim ao realizar a selecção de resíduos, vai existir uma canalização de recursos financeiros, e fomentar-se uma melhor imagem ecológica da instituição.
É importante que todos os profissionais estejam informados das regras básicas de higiene e segurança, da importância do seu papel, para modelo de referência dos outros, principalmente quanto à triagem na fonte, pela recolha dos resíduos gerados e acondicionados em recipientes apropriados, incluindo o transporte até ao destino final.
 Segundo JOHNSON (1996) cit. In DIAS (1998, p.13), os enfermeiros gestores responsáveis, também devem instruir os membros das suas equipas acerca dos novos procedimentos relativos à gestão global dos resíduos, incluindo as respectivas condições de recursos materiais e o respeito pela definição dos circuitos, e, devem ser capazes de identificar cada contentor e respectiva cor, com a categoria de resíduo lá contido, para que todos possam distinguir sem erros.
Na opinião de DIAS (1998, p.14), “a introdução da politica dos 3R numa unidade de saúde, como indicador de garantia de qualidade, não é fácil (…)”, e realça que o sucesso desta politica requer:
- Qualidade;
- Metodologia científica;
- Esforço da equipa multidisciplinar.
De uma forma sucinta, a gestão dos resíduos sólidos hospitalares, obedece essencialmente:
- À política dos 3R – reduzir, reutilizar e reciclar;
- Formação de profissionais;
- Sensibilização do público;
- Reavaliação periódica e monitorização das diversas fases do sistema;
- Cumprimento estreito da legislação;
- Garantia de qualidade aos mais diversos níveis.
As vantagens desta gestão são imensas, como por exemplo:
S  A nível económico;
S  Conservação de matérias-primas;
S  Redução dos custos de eliminação;
S  Protecção da qualidade do ar;
S  Ajuda a tornar o planeta mais puro e mais limpo para as futuras gerações.

estratégias para a mudança de comportamentos
Hoje em dia, sente-se cada vez mais a necessidade de uma mudança na estratégia de gestão dos resíduos sólidos hospitalares, não só pelo aumento do volume, como pela mudança que se tem verificado na sua composição.
Sendo assim, na opinião de SOARES E MARTINS (1997, p.39), uma das possíveis estratégias a adoptar para promover a mudança de comportamentos face à gestão dos resíduos hospitalares, será a constituição de “grupos de discussão”, envolvendo os diferentes grupos profissionais que constituem as equipas, e com a participação activa da Comissão de Higiene Hospitalar, bem como o Departamento de Educação Permanente das instituições que os produzem.    
O grupo de discussão começa simplesmente por ser constituído por um número reduzido de pessoas, incluindo todos os profissionais da equipa de saúde, que têm como objectivo discutir os problemas específicos dos respectivos serviços, no que se relaciona com os resíduos hospitalares.
 Os participantes decidem em conjunto o que vão estudar e como o vão fazer. Neste grupo é importante a existência de um orientador, que deverá possuir uma boa capacidade de estudo e conhecer uma grande variedade de fontes de informação, bem como a forma de as obter.
Este orientador deve motivar todos os membros a participar, sendo essencial que conheça bem todos os participantes; deve manter o grupo na direcção dos objectivos que foram seleccionados, e estar totalmente disponível na relação de formação.
A constituição deste tipo de grupos proporciona um conhecimento mais duradouro, do que o obtido numa sessão de formação e facilita uma compreensão mais profunda dos assuntos discutidos.
O grupo de discussão é vantajoso em relação a outros métodos, quando o objectivo educacional envolve alterações do comportamento e das atitudes.
Neste grupo podem ser elaboradas grelhas de observação de comportamentos e planeadas simulações. Posteriormente, poderão organizar-se grupos de intervenção, seleccionando serviços piloto. A estes grupos deverão pertencer elementos dos serviços em questão, de preferência os líderes, e a sua intervenção deverá ser continuada e formativa, no sentido de promover a mudança de comportamentos.

conclusão
Após a realização deste trabalho, consideramos que os objectivos inicialmente propostos foram atingidos. Contudo, convém realçar que o nosso trabalho não se encontra finalizado, uma vez que a acção de formação em serviço ainda não foi realizada, motivo pelo qual não podemos avaliar se este contribuiu ou não para a mudança de comportamentos dos profissionais do Centro de Saúde.
Com este trabalho podemos concluir que cada unidade de saúde deve desenvolver um plano de circulação de resíduos, atendendo à sua estrutura dimensão e quantidade de resíduos produzidos, definido segundo critérios de operacionalidade, e de menor risco para os doentes, profissionais e público em geral.
Esta tarefa por parte dos profissionais é extremamente importante, uma vez que os resíduos sólidos hospitalares existem desde os primeiros cuidados de saúde. Assim, os profissionais implicados na manipulação, classificação e recolha destes resíduos, necessitam de conhecimentos cada vez mais específicos e de formação contínua.
Actualmente, os resíduos sólidos hospitalares têm uma classificação e triagem consoante a sua perigosidade para a saúde, razão pela qual os profissionais devem estar incentivados para a sua selecção.
Ao terminar este trabalho concluímos que apenas com uma colaboração mútua e com uma relação de ajuda entre todos os profissionais de uma instituição, é que se consegue promover a mudança de comportamentos e atitudes, e consequentemente contribuir para uma melhor qualidade de vida e do ambiente do trabalho.
Por fim, resta-nos esperar que com este trabalho, se verifique no futuro uma mudança nas atitudes e comportamentos dos profissionais em relação à triagem dos resíduos sólidos hospitalares.

Bibliografia
& DIÁRIO DA REPÚBLICA Nº187, ii SÉRIE, DESPACHO 242/96 DE 13/08

& DIAS, Maria Helena – Os Resíduos Sólidos Hospitalares e o se Impacto na Sociedade. Enfermagem: Lisboa. Nº12, 2ª Série (Outubro/Dezembro de 1998), p.12 à 14.

& SANTOS, Cristina Maria Oliveira; ALVES, Maria Ferreira – Os Resíduos Sólidos Hospitalares: Tratamento Selectivo dos Resíduos Sólidos. Sinais Vitais: Coimbra, Nº19 (Julho de1998), p.41 à 43.

&  SOARES, Armando; MARTINS, José Eduardo – Estratégias para a Mudança de Comportamentos. Actas da VIII Semana de Enfermagem: Vila Real, Abril de 1997, p.39 à 42.


PRÁTICA PARA A GESTÃO DOS RESÍDUOS HOSPITALARES

ü  Efectuar uma triagem correcta dos resíduos hospitalares, permitindo assim que sejam tratados consoante o grupo a que pertencem
ü  Reduzir ao mínimo as manipulações dos resíduos hospitalares;
ü  Os sacos de recolha de resíduos não devem ultrapassar mais de 2/3 da sua capacidade;
ü  Os sacos devem ser bem fechados a fim de evitar a sua abertura e extravasamento durante a remoção e transporte;
ü  O local de armazenamento geral dos contentores de resíduos deve possuir as condições elementares que permitam a sua limpeza e manutenção regular;
ü  O local deve ser seguro contra animais roedores, infestantes ou outros;
ü  É fundamental que seja feita a identificação do tipo de resíduo e sua origem (identificação do serviço).